Globo demite três diretores após erro estratégico na Copa do Mundo, na maior mudança da década em sua direção

A Globo confirmou, a saída de três diretores em uma reformulação apontada como a maior mudança na alta direção da emissora em uma década. Deixam a empresa o diretor de Finanças, Jurídico, Infraestrutura e Produtos Digitais, Manuel Belmar; o diretor de Marca e Comunicação Institucional, Manuel Falcão; e o diretor de Aquisições e Direitos Esportivos, Pedro Garcia.

Manuel Belmar ocupava uma das posições de maior peso dentro do grupo, com responsabilidades nas áreas de finanças, jurídico, infraestrutura e produtos digitais. O executivo estava na Globo desde 2003, com trajetória de mais de duas décadas na empresa. Pedro Garcia, responsável por aquisições e direitos, também deixa a companhia.

Copa do Mundo entra no centro das mudanças

A estratégia adotada pela Globo para a Copa do Mundo de 2026 pesou nas avaliações internas. A emissora não adquiriu a totalidade das 104 partidas da competição: a CazéTV obteve os direitos para transmitir todos os jogos pelo YouTube, e o SBT retornou à Copa após 28 anos, com 32 confrontos em parceria com a N Sports, entre eles partidas da Seleção Brasileira.

As saídas de Belmar e Pedro Garcia são associadas, nos bastidores, à condução dessas negociações de direitos. A Globo não anunciou oficialmente a Copa como motivo dos desligamentos; a relação é atribuída pelas reportagens a avaliações e relatos internos.

Aquisição de direitos era função de Pedro Garcia

Pedro Garcia atuava diretamente na negociação de competições e eventos exibidos pelas plataformas do grupo. A saída ocorre em um momento de fragmentação dos direitos esportivos no Brasil, com emissoras tradicionais disputando espaço com serviços de streaming, plataformas digitais e transmissões gratuitas pelo YouTube.

Globo mira Copa de 2030 para apresentar no Upfront

A Globo quer fechar a aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 a tempo de apresentar a novidade em seu Upfront, evento marcado para 14 de outubro. A negociação do Mundial é um dos principais desejos da emissora para o evento, que deve reunir apenas projetos já efetivamente confirmados para o próximo ano.

Apesar do interesse da Globo em concluir o acordo até outubro, o cenário é de cautela, segundo apurou a coluna Canal D. A possibilidade de a negociação ser fechada a tempo do Upfront é considerada pequena, já que a Fifa não teria pressa para comercializar os direitos da Copa de 2030 no mercado brasileiro. O calendário desejado pela emissora, assim, não necessariamente coincide com os planos da entidade para definir as transmissões no país.

Falcão deixa a Comunicação após 20 anos de casa

Segundo apurou o TV Pop, a saída de Manuel Falcão está associada ao excesso de gastos com influenciadores e ao desgaste da emissora na relação com a imprensa. Diretor de Marca e Comunicação desde 2020, o executivo encerra uma carreira de mais de duas décadas dentro do grupo.

Falcão assumiu a área no lugar de Sergio Valente, que comandava a Central Globo de Comunicação desde 2013, em uma troca ocorrida durante o processo de integração das operações no projeto Uma Só Globo. O departamento atende jornalistas, planeja campanhas institucionais e de lançamento das atrações da empresa, além de administrar campanhas sociais e o relacionamento com o terceiro setor.

Antes de comandar a Comunicação, Manuel Falcão passou por diferentes cargos na Globosat e na Globo. Ingressou como designer digital sênior em novembro de 2000, virou chefe de criação quatro anos depois e, em 2007, passou a gerente de Criação. Assumiu a diretoria de Comunicação e Branding em 2015 e tornou-se diretor de Marketing em janeiro de 2016.

A formação acadêmica do executivo passa por design, cinema, televisão e marketing. Ele concluiu Desenho Industrial na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1999, cursou Formação Executiva em Cinema e TV na Fundação Getulio Vargas entre 2003 e 2004 e, na mesma instituição, fez MBA em Marketing entre 2004 e 2005, antes de avançar na estrutura da Globosat.

Em entrevista concedida antes de assumir a comunicação da Globo, Falcão resumiu a visão que costumava defender sobre o consumo de televisão: “É um processo de ressignificação para mostrar que o formato não importa quando o conteúdo é forte e relevante.”

Reformulação vai além dos direitos esportivos

Com as três mudanças, a Globo mexe simultaneamente em setores importantes de sua estrutura corporativa, em meio à transformação acelerada do mercado de mídia.

Nova holding do Grupo Globo já havia detalhado comando

As mudanças ocorrem depois de o Grupo Globo ter detalhado a estrutura de sua holding. O presidente do Grupo Globo e do Conselho de Administração, João Roberto Marinho, também comanda a holding, que tem Luis Henrique Guimarães como vice-presidente executivo. Paulo Marinho, CEO da Globo, atua como vice-presidente de empresas de mídia, enquanto Roberto Marinho Neto assume a vice-presidência de Negócios e Investimentos.

A holding também criou a Borealis, operação de gestão de ativos financeiros e fundos do exterior liderada por Luís Lora, e mantém a Globo Ventures, empresa de venture capital com investimentos em 35 negócios, entre eles Enjoei, Buser, Familhão, Kovi, Nomad e Stone. Segundo a Globo, a holding atua no assessoramento dos acionistas, do conselho de administração e das empresas do grupo, com foco em otimizar a alocação de capital e de profissionais entre as diferentes áreas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações da Folha de S.Paulo, do Meio & Mensagem, do TV Pop e da coluna Canal D.

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